Disfunções sexuais
 

O termo disfunção sexual refere-se a qualquer problema que possa ocorrer durante as fases do ciclo de resposta sexual; que  afasta os indivíduos ou casais de experimentarem a satisfação na  relação sexual. O ciclo da resposta sexual é composto de acordo com Masters e Johnsons (1966)  por quatro fases: excitação, platô, orgasmo e resolução

 

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Enquanto as pesquisas sugerem que a disfunção sexual é comum (43% das mulheres e 31% dos homens relatam algum grau de disfunção sexual), a mesma ainda é um tópico que muitas pessoas hesitam em discutir. Nos idosos estas alterações são mais comuns devido o declínio na saúde associada com o envelhecimento.

As causas das disfunções sexuais podem ser hormonais, psicológicas, orgânicas (causadas por doenças como diabetes, doenças cardíacas, hipertensão, alcoolismo, abuso de drogas ou fumo, doenças neurológicas, etc.) ou iatrogênica (resultante de um determinado tratamento como por exemplo, após a cirurgia de retirada da próstata)

O tratamento das disfunções sexuais incluem psicoterapia, aconselhamento sexual, medicamentos, reposição hormonal, fisioterapia do assoalho pélvico ou cirurgia. A indicação destes recursos depende do tipo de alteração que o paciente apresentar.

Alterações na fase de excitação causadas por disfunção do assoalho pélvico

Os músculos superficiais do assoalho pélvico têm um papel importante na função sexual de homens e mulheres. As queixas associadas às alterações destes músculos incluem a disfunção eretiva (nos homens) e a frouxidão vaginal (nas mulheres).

Entenda como os músculos do assoalho pélvico participam do mecanismo da ereção

A ereção é iniciada imediatamente após o indivíduo ser estimulado sexualmente. As informações provenientes do cérebro são transmitidas pelos nervos até o pênis desencadeando uma série de eventos que produzem a dilatação de suas artérias e preenchimento dos espaços cavernosos aumentando o comprimento e o diâmetro. Este mecanismo é um fenômeno puramente vascular e pode ser comprometido por doenças que afetem as artérias como por exemplo, a hipertensão ou o diabetes. Após o engurgitamento de sangue nos espaços cavernosos, as veias são comprimidas evitando a saída de sangue dos corpos cavernosos e mantendo a ereção por um período prolongado (o escape venoso pode também ser uma das causas de disfunção eretiva). Com a manutenção da excitação pelos estímulos sexuais inicia-se também um fenômeno muscular.Os músculos que envolvem o pênis (bulbocavernoso) aumentam a sua tensão comprimindo ainda mais as veias, reforçando a manutenção da ereção. O músculo isquiocavernoso também fica mais tenso tracionando a base do pênis e aumentando a sua angulação.


O mecanismo da ereção pode ser dividido em cinco fases: fase flácida, fase de enchimento, tumescência, ereção completa, rigidez e detumescência.

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Na fase flácida os corpos cavernosos estão vazios. As artérias cavernosas são mantidas fechadas, pois não há nenhum estímulo sexual e quando este ocorre há uma dilatação dos vasos iniciando a fase de enchimento até o engurgitamento completo dos corpos cavernosos (ereção completa). A rigidez é mantida pela contração dos músculos superficiais do assoalho pélvico e determinam a angulação peniana. Á medida que o homem vai envelhecendo estes músculos perdem a sua força e a rigidez do pênis não é mais a mesma. O treinamento dos músculos do assoalho pélvico pode melhorar a ereção e a rigidez do pênis. Após a ejaculação ou se cessar o estímulo sexual o pênis entra em detumescência (saída do sangue dos espaços cavernosos) até entrar em estado de flacidez.

Como os músculos do assoalho pélvico têm papel importante na fase de excitação feminina

Durante a excitação feminina (provocada pela estimulação sexual) os músculos bulbocavernosos e isquicavernosos aumentam sua tensão produzindo a redução da abertura vaginal (a mulher fica mais apertada) e ereção do clitóris (o mecanismo é bem parecido com a ereção do pênis). Estes eventos são importantes para que a mulher possa sentir prazer durante a estimulação sexual. Muitas mulheres após o parto ou quando chegam à terceira idade reclamam que sua vagina está “frouxa”. A perda da contração dos músculos do assoalho pélvico pelo envelhecimento ou por traumas ocorridos no parto bem como as lesões do tecido conjuntivo de sustentação pode ser a causa desta queixa, que pode também vir acompanhada de problemas na continência. A avaliação de um ginecologista ou fisioterapeuta especialista na área pode auxiliar a mulher encontrar o tratamento adequado.
Algumas mulheres podem apresentar uma contração involuntária dos músculos vaginais durante a relação sexual (vaginismo) impedindo a penetração do pênis. As causas do vaginismo podem ser psicológicas ou de origem orgânica (causadas por alterações na vagina que causam dispareunia ou dor durante a penetração). A tentativa de penetração causa dor aumentando ainda mais o espasmo trazendo desconforto e frustração para o casal. O vaginismo deve ser tratado com terapia sexual que inclui acompanhamento psicoterapêutico e treino de relaxamento dos músculos do assoalho pélvico.

Função do assoalho pélvico na fase orgásmica

O orgasmo corresponde ao estado de maior prazer sexual sentido durante o ato sexual ou a masturbação, dura alguns segundos e é percebida através de alterações no corpo como o enrubescimento da face, contrações dos músculos do corpo  (inclusive dos músculos dos órgãos genitais e ânus), sensação de euforia e vocalizações. Nos homens o orgasmo pode ser detectado pela ejaculação (vale salientar que ejaculação e orgasmo são coisas diferentes) que é produzida pelas contrações rítmicas dos músculos superficiais do assoalho pélvico e na mulher pelas contrações dos músculos que envolvem a vagina aumentando de forma excepcional a sensibilidade desta área e produzindo a saída de líquido caracterizando a ejaculação feminina.
Tanto homens como mulheres podem apresentar queixas na fase orgásmica. A ejaculação prematura, retardada e a retrógrada são alterações que podem aparecer na fase orgásmica masculina, sendo a primeira a queixa mais freqüente. Nas mulheres a falta de prazer pode estar associada ao medo de engravidar, traumas psicológicos (após sofrer abuso sexual) ou disfunções que podem causar dor a penetração. Os exercícios dos músculos do assoalho pélvico pode ser um recurso auxiliar no tratamento das disfunções orgásmicas, pois auxiliam o homem a manter o controle ejaculatório e a mulher a ter a percepção do seu corpo e especialmente da vagina. Estes exercícios devem ser acompanhados de outras modalidades de terapia e o aconselhamento de um profissional de saúde é importante para ajudar a resolver este problema.

 
 
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